São Bartolomeu é o santo padroeiro do concelho de Baião, cujas referências históricas associadas ao santo e ao território de Campelo são milenares e com relatos de uma “grande feira” nos dias 23, 24 e 25 de agosto.
Na obra “Em tornas das memórias paroquias de 1758”, da coleção “Em torno de Baião”, consultada pelo nossoterritório.pt, surgem referências àquele ano e a Campelo “com uma vida económica e religiosa bastante movimentada”.
A feira mensal naquela altura já era realizada ao dia 08 e a “grande feira” nos dias 23, 24 e 25 de agosto, por ocasião de São Bartolomeu.
“Vinham comerciantes de várias regiões, incluindo Porto, Braga e Guimarães. Vendiam-se, entre outras coisas, ouro, prata e tecidos de linho”, lê-se na obra.
Tal como hoje em dia acontece, em 1758 chegavam a Baião pessoas de localidades vizinhas, que traziam vários produtos para venda, artesanato e animais. Naquela altura, tudo era concentrado em torno da igreja, fazendo do evento mais do que uma festa religiosa, um acontecimento económico e social.
Ao longo dos anos, Baião manteve as tradições de outros séculos, realizando a grande festa nos dias próximos a 24 de agosto e promovendo o artesanato, os produtos locais, o gado de raça arouquesa e as tradições associadas aos grupos folclóricos, aos bombos e às concertinas.
Todos os anos rumam a Baião, por altura do São Bartolomeu, milhares de pessoas, oriundas de vários pontos do país, e todos os anos se realiza a “grande feira” no dia 23 de agosto, permitindo negócios e movimentando a economia local.
O dia 24 de agosto é dedicado às celebrações religiosas em torno de São Bartolomeu, primeiro com a missa solene e depois, com a majestosa procissão que percorre a vila de Baião, numa celebração de fé e devoção.
São Bartolomeu é conhecido pela sua entrega à fé e pela forma trágica como sofreu o martírio, tendo sido esfolado vivo. É o santo protetor de profissões ligadas ao trabalho com peles, como sapateiros, alfaiates, curtidores e açougueiros.
Reza a lenda que, antigamente, se acreditava que no dia 24 de agosto o diabo andava à solta e que São Bartolomeu o prendeu, daí a imagem com o santo a agarrar o diabo com amarras de ferro.
Segundo a obra de Pedro Nuno Vieira, “muitos peregrinos deslocavam-se à festa de São Bartolomeu para pedir benefícios ao santo, incluindo pessoas que acreditavam estar “possuídas pelo Demónio””.
A procissão em honra de São Bartolomeu teve, este ano, de ser cancelada, devido à chuva e vento forte que assolou Baião.



