O Município de Mesão Frio assinalou os 52 anos do 25 de Abril com um conjunto de atividades que arrancou na sexta-feira, com o projeto “Cantar Abril” e prolongou-se hoje com a sessão comemorativa e uma palestra com Alexandre Chaves, último governador civil de Vila Real.
Na sexta-feira, dia 24 de abril, o Auditório Municipal de Mesão Frio recebeu o projeto “Cantar Abril”, que é protagonizado por utentes dos albergues noturnos do Porto e técnicos de intervenção social, que também são músicos.
O grupo recriou músicas associadas à Revolução de Abril sob o lema “Se Abril se cumprisse, o nosso teto não era a rua”, um álbum que resulta da leitura da liberdade através da voz e do olhar de pessoas em situação de sem-abrigo.
Uma noite em que as vozes se afinaram e o público não faltou à chamada, contribuindo para um concerto único em véspera do dia da Revolução dos Cravos.
Hoje, as comemorações arrancaram com o hastear da bandeira nacional nos Paços do Concelho, seguida de romagem ao Monumento dos Antigos Combatentes.
A sessão solene, que decorreu no auditório municipal, contou com momentos musicais assegurados pelo maestro mesão-friense Diamantino Nogueira, com as intervenções dos presidentes da câmara e da assembleia municipal e das forças políticas com assento neste órgão e uma palestra com o tema “Os 50 Anos do Poder Local nos 50 Anos da Constituição”, de Alexandre Chaves, último Governador Civil de Vila Real.
Paulo Silva, presidente da Câmara Municipal de Mesão Frio, falou de Abril e dos 50 anos da Constituição da República Portuguesa e das primeiras eleições autárquicas da nação, que implantaram o Poder Local em todos os concelhos.
“Como devem imaginar e reconhecer, é para mim muito comovente – como filho e irmão de antigos autarcas desta terra! – recordar essa data de dezembro de 1976 que elegeu por todo o país os primeiros dirigentes do Poder Local português. Homens e mulheres de diferentes partidos e orientações políticas que ousaram dar o passo em frente e mudar radicalmente o Portugal atrasado e miserável instituído compulsivamente por um Estado Novo fascista que incitava uma polícia política a perseguir, prender, torturar e matar os seus compatriotas que pensavam diferente!”, disse.
O autarca lembrou os quase 30 mil os presos políticos, a PIDE e as torturas que passaram, “enquanto instrumentos de controlo, perseguição e terror da ditadura de Salazar e Marcelo Caetano”.
Assumindo-se como “antifascista”, Paulo Silva acrescentou: “antifascista me declaro e assumo! Humanista e democrata, claro, mas sempre, sempre antifascista, porque só assim posso honrar a memória, o compromisso e a luta do nosso querido Arlindo Dias Ferreira e de todos os outros Capitães de Abril, que comandados por Salgueiro Maia, trouxeram os cravos para a rua e a liberdade ao país”.
Dirigindo-se aos mesão-frienses, o presidente da autarquia defendeu que “nunca foi tão urgente defender o que Abril trouxe”.
“Nunca como agora – nestes 52 anos que temos de cravo ao peito – a verdade foi tão atacada. Os especialistas em mentir e difamar, os ourives dos números e das verdades torcidas, os garimpeiros da indecência e da reescrita da história, estão instalados por dentro das estruturas democráticas”, referiu.
Recordando Abril e, sobretudo, as primeiras eleições autárquicas após o 25 de Abril, Paulo Silva lembrou o que foi eleito como presidente da Câmara Municipal de Mesão Frio, em dezembro de 1976, António da Natividade.
“O meu pai foi um lutador. Um combatente da justiça social, da educação e da solidariedade. Um trabalhador incansável por Mesão Frio e por todas as suas gentes. Nele me revejo em corpo e em espírito. Procuro, todos os dias, ser fiel ao seu exemplo de vida, ao seu compromisso com as pessoas e à justiça do seu comportamento como presidente da câmara”, vincou.
Veja o vídeo aqui: https://www.facebook.com/reel/826765033819273



