Joana Cardoso, natural de Santa Cruz do Douro, no concelho de Baião, encontra na escrita uma forma de desmistificar doenças de crianças, como a artrite idiopática juvenil, um problema de saúde que se manifestou quando a autora tinha apenas 18 meses.
Hoje, com 40 anos de idade e uma vida completamente autónoma, Joana publicou o seu segundo livro, desta vez direcionado para o público mais jovem e é para aquele público que vai continuar a escrever.
“Contos D’ Amor: Margarida, a menina que quer dançar” é a sua mais recente obra, depois de “Sempre que me olho”, e que tem sido “um sucesso”, garante Joana, em declarações ao nossoterritório.pt.
“A minha ideia, quando estava a escrever o primeiro livro, que é uma espécie de autobiografia, foi sempre mais tarde passar essa história para a versão infantil, numa linguagem mais simples, porque a minha doença, quando me apareceu não era comum aparecer em crianças, mas hoje em dia é muito comum e aparece em qualquer idade”, salientou Joana, acrescentando:
“A Margarida está a cumprir o papel dela, porque o que tenho recebido de feedback é que as crianças ficam sensibilizadas com a Margarida, querem conhecer a Margarida e ficam muito emocionadas com ela”.
A história da Margarida é um pouco da história da Joana Cardoso, uma menina que queria dançar, mas que começa a sentir um bloqueio nos joelhos, percebendo que tem uma doença, começa toda uma aprendizagem. A Margarida não deixa de sonhar e de dançar, mas com as suas limitações.
“Como na história, também na vida real a família e os amigos têm um papel importante e ajudam a Margarida a dar a volta nos momentos menos bons”, relatou Joana, indicando que o livro tem o papel informativo e desmistificador, porque algumas crianças que a quiseram conhecer ficaram assustadas pelas deformações que tem, mas Joana explica-lhes que hoje em dia a doença tem tratamentos que não deixam a situação evoluir tanto.
A autora baionense não recorda quando surgiu o gosto pela escrita, dizendo que desde que se lembra, e ainda muito pequena, gostava de escrever e desenhar.
“Tinha apenas com 18 meses que a minha doença se começou a manifestar e passava grandes temporadas internada, porque os médicos não sabiam dar um diagnóstico certo. Era conhecida no hospital como a menina do papel e da caneta, porque ou pintava ou escrevia”, contou Joana Cardoso.
Formada em psicopedagogia, sempre trabalhou com crianças, sendo agora colaboradora da Câmara Municipal de Baião, na Biblioteca Municipal António Mota
A ideia de começar com a Margarida a falar de doenças e casos especiais abriu portas para que Joana, através da sua editora, todos os anos publique livros que retratam histórias de crianças especiais.
O Tiago e a Laura são os protagonistas das próximas histórias da Joana Cardoso, que se juntarão à Margarida numa sucessão de obras da autora.



