Com 55 anos dedicados à manufatura das famosas Bengalas de Gestaçô, classificadas como Património Cultural Imaterial Nacional, Serafim Teixeira tem vindo a partilhar a arte com os mais novos.
Desafiado a participar nas férias desportivas organizadas pela Câmara Municipal de Baião, o artesão transmitiu às crianças e jovens uma arte única no mundo, feita no concelho de Baião.
Com mestria, sabedoria e muito gosto pelo que faz, Serafim Teixeira explicou e mostrou a arte, deixando os mais novos participar na confeção de um objeto que se tornou um ícone do concelho de Baião.
Foi com apenas 10 anos de idade que Serafim Teixeira começou a aprender a arte das bengalas. Depois de acabar a escola primária, foi na oficina do padrinho, onde também trabalhava o pai, que Serafim aprendeu a fazer as bengalas. Desde aquela idade, nunca mais abandonou a arte e teme que se venha a perder por falta de aprendizes.
“Os mais novos não querem um trabalho assim, horas e horas de pé e o lucro não é assim tanto”, contou.
As mãos de Serafim estão bem talhadas para a arte, que faz a olho, enquanto explica aos mais pequenos os diferentes passos para fazer uma bengala.
Atentos e com vontade de experimentar, as crianças e jovens vão tirando dúvidas e ficam admirados com o trabalho final, quer nas bengalas grandes, quer nas miniaturas que Serafim faz com astúcia.
Na mesa de trabalho, o artesão mostra os primeiros passos e numa outra mesa mostra o trabalho final, com bengalas trabalhadas, pormenores únicos e até um dedicado ao Eça de Queiroz, com a sua silhueta.
Para Serafim o trabalho é um “gosto muito grande” de se fazer, porque sempre dedicou a vida às bengalas e não se vê a fazer outra coisa.
Da madeira de cerejeiras são criadas peças únicas, mas é com as bengalas que vende para a Queimas das Fitas que Serafim Teixeira consegue rentabilizar o trabalho.
São milhares todos os anos que saem de Gestaçô, no concelho de Baião, para as mãos dos finalistas dos muitos cursos das academias portuguesas. Também de Gestaçô saem, anualmente, bengalas para os finalistas das escolas do concelho, numa homenagem à bengala e a quem dedica a vida a manufaturar uma peça, que surgiu pela primeira em Baião nos finais do século XIX.
Veja o vídeo aqui:



