Ana Lourenço é a mais jovem aprendiz da arte de fazer as famosas cestas de Frende, do concelho de Baião, mas vê com preocupação a continuidade da arte, por falta de quem queira aprender e de matéria prima.
Ana trocou o Porto, de onde é natural, por Frende, onde tem raízes familiares, sendo sobrinha do antigo presidente de junta de freguesia, António Amorim, e é naquela freguesia que pretende dar continuidade a uma arte antiga e em risco de se perder.
Com casa em Frende, Ana e o marido vinham “à aldeia de quinze em quinze dias” e sempre que regressavam ao Porto, “faziam-no deprimidos”, confessou ao nossoterritório.pt. A decisão de deixar a grande cidade surge em novembro de 2025 e foi com facilidade que se adaptarem a Frende, “porque já conheciam as pessoas”.
“A adaptação foi fácil, porque já conhecíamos as pessoas e as pessoas aqui são próximas e muito humanas”, disse Ana Lourenço.
O contacto com Frende e as suas tradições levou Ana a interessar-se pelas cestas, “sobretudo porque lhe faz muita confusão perder-se esta tradição”, revelou.
Entrou em contacto com a única artesã da freguesia, Sílvia Loureiro, com 74 anos, e começou a aprender a arte, defendendo que “devia haver um curso na freguesia para ensinar a arte”.
“A D. Sílvia aprendeu a fazer as cestas, porque houve um curso na junta de freguesia, um curso intensivo, onde faziam cestas todos os dias, durante vários meses, mas neste momento não há quem dê o curso”, disse, vincando que “não quer que a tradição se acabe”.
“Por isso abracei este projeto, ao qual quero dedicar mais tempo, mas há aqui um outro problema, a falta de matéria prima”, contou.
As tradicionais cestas de Frende são feitas de giesta piorna, uma planta que era colhida na Serra do Montemuro, nos concelhos de Resende, Cinfães e Castro Daire, onde as temperaturas são mais frescas e a planta se dá melhor.
Com os incêndios e a devastação da serra, a giesta piorna é, hoje em dia, escassa para a confeção das cestas, o que coloca em risco a continuidade da arte.
Ana Lourenço acredita que, com uma plantação controlada, será possível contornar esta dificuldade e, por isso, tem estado em contacto com a Junta de Freguesia de Frende e já abordou a Câmara Municipal de Baião para ser encontrada uma solução.
Pelas mãos de Ana Lourenço já foram feitas as cestas mais pequenas, num trabalho minucioso que começa com a apanha da piorna e o tratamento da giesta até estar pronta para ser manuseada.
Ana aprende agora a fazer cestas maiores, não só as tradicionais peças para uso doméstico, como era antigamente, mas tem ideias para inovar a arte e criar peças únicas.
“É uma tradição que é pena perder-se, porque cestas há muitas, mas de piorna são únicas no país e talvez no mundo. Isso dá-lhe uma identidade diferente”, frisou.



