Manos Trio celebram 35 anos de um percurso musical impulsionado pelos pais e reconhecido pelo público

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Pedro, Zé e Hélder Azeredo tinham apenas 15, 10 e sete anos, respetivamente, quando, em 1991, subiram ao palco e deram música a um baile de angariação de fundos para um passeio de finalistas em Baião.

Foi o começo que uma história que faz, no dia 25 de abril, 35 anos e da qual não podem ser dissociados os pais dos três irmãos, sobretudo o pai, também ele ligado à música.

Do primeiro concerto dos Manos Trio, que ainda não tinham nome oficial, saiu a contratação para 12 festas. Foi no salão dos Bombeiros Voluntários de Baião, que os irmãos atuaram, um evento que nunca esqueceram.

O nossoterritório.pt foi ao encontro dos Manos Trio, na sala onde ensaiam e onde partilham ideias e músicas que, durante muitos anos, ocuparam o top das rádios locais.

“Tudo começou”, conta Pedro, o irmão mais velho e que apresentava os concertos, “quando o pai o tenta ensinar a tocar cavaquinho”.

“Eu não tinha gosto por aquilo e aquilo magoava nos dedos. Na altura não gostava. Então o meu pai trouxe-me um teclado pequenino, quase um brinquedo, e eu achei um piadão àquilo, achei aquilo fantástico”, recorda Pedro, que ainda hoje é nas teclas que dá notas ao grupo.

O pai, António Alberto Azeredo, percebeu que o filho mais velho tinha mais gosto pelas teclas do que pelo cavaquinho e, depois de umas férias escolares a trabalhar com o pai, Pedro foi desafiado por António Alberto Azeredo a escolher entre um computador ou um teclado.

Os irmãos Zé e Hélder, antes da resposta de Pedro ao nossoterritório.pt sobre a escolha feita, foram dizendo que “podia ser um computador com teclado”, num trocadilho que arrancou risos, ficando evidente a amizade e o companheirismo dos irmãos.

Pedro escolheu o teclado. “O meu pai só teve tempo de ir ao Porto e vir com o teclado”, contou, não fosse a vontade do filho mais velho desvanecer.

Foi o entusiasmo e o amor à música do pai e as primeiras notas de Pedro, que atraíram os irmãos, primeiro o Zé, que estragava as mesinhas de cabeceira do quarto a tocar como se fossem uma bateria.

“Como partilhávamos o mesmo quarto era fácil ir seguindo as pisadas do Pedro. Por isso comecei por pegar nos lápis e batia nos móveis”, recorda Zé.

Atento aos filhos e ao gosto na música que despertava nos irmãos, o pai comprou para o filho do meio um módulo, “que nem uma bateria era. Era uma caixa de ritmos com uns botõezinhos”, lembram os irmãos, acrescentando: “Ainda chegámos a fazer muitos bailes com aquilo”.

Não foi difícil para Zé acompanhar os ritmos do irmão Pedro, copiando os sons que saíam do teclado.

“Havia alturas, nos bailes, em que as pessoas que estavam a dançar já se apercebiam que a música ia acabar, porque eu fazia aquele som, que era para acabar a música, porque o Pedro no teclado também só tinha aquele e eu fazia aquilo igual”, disse Zé, que recorda com “alegria” o dia em que o pai lhe deu uma bateria acústica.

“Foi por altura do Natal. Ele deu-me no penúltimo dia de escola antes das férias e queria muito aproveitar ao máximo, mas tive de ir para a escola. Estava lá e não estava bem, então perguntei ao porteiro, que era meu amigo, se tínhamos falta nesse dia e ele disse que não. Andei mais de dois quilómetros a pé para chegar a casa e só saí do quarto para almoçar e jantar, porque a minha mãe me chamou”, contou.

A evolução dos irmãos na música e o incentivo do pai também se estendeu ao irmão mais novo, o Hélder, que começou com uma pandeireta, “mas que não acertava no ritmo”, contam.

“Estamos a falar de uma criança de sete anos. Ele não conseguia acertar no ritmo para muito descontentamento do meu pai”, confessou Pedro, que lembra as palavras do pai na altura: “ele não tem ouvido, é como o avô Manel, que cantarolava as músicas, mas não se conseguia perceber que música era”.

Mas Hélder surpreendeu o pai e os irmãos no dia em que pegou na guitarra de António Alberto Azeredo e começou a tocar.

“O meu pai chegou a casa e ouve a guitarra dele a soar uns acordes, perguntou à minha mãe quem estava a tocar e ela respondeu é o Hélder”, lembrou Pedro, avançando que “foi aí que começou a construir-se a ideia do grupo, primeiro em festas de família”.

Ainda muito novos e com o objetivo de proteger os filhos, António Alberto Azeredo foi limitando as atuações a um grupo restrito da família até ao dia em que o tio dos irmãos, Sérgio, lhe pediu para que os rapazes fossem tocar ao referido baile de angariação de fundos para o passeio dos finalistas.

“Na altura o nosso tio veio ter connosco e o meu pai disse que nós ainda não estávamos preparados, mas o tio Sérgio insistiu e fomos, precisamente no dia 25 de abril de 1991”, contaram.

A partir daquele dia, os Manos Trio deram início a um caminho com cinco álbuns de originais gravados, várias músicas nos top’s e a passagem por “todos os lugares do concelho de Baião e muitas festas em concelhos da região e do país”.

“Tem sido um percurso com muito carinho da parte do público. Às vezes dizemos que santos da casa não fazem milagres, mas connosco não é assim. As pessoas de Baião sempre nos acarinharam muito e algo que está bem patente no concerto que temos no dia 25 de abril, que esgotou a capacidade do Auditório Municipal de Baião em pouco tempo, levando-nos a colocar uma nova data, para que ninguém fique de fora”, dizem.

Pelo percurso dos três irmãos passam projetos musicais como os VentusNorte, com tributo a Tony Carreira, e os Nau, com tributo ao rock/pop português, alargando o número de pessoas em palco a atuar.

Mas é a história e os 35 anos dos Manos Trio que o Auditório Municipal de Baião vai acolher, no dia 25 de abril, num espetáculo que vai homenagear os pais, a família e os amigos dos três irmãos de Baião.

Em palco, Pedro, Zé e Hélder vão compilar um pouco dos 35 anos de grupo, com músicas bem conhecidas de todos, e vão apresentar um novo tema original.

Os irmãos nunca pensaram que iriam esgotar tão rápido os 250 lugares do auditório e, “para não serem injustos com ninguém”, abriram uma segunda data, no dia 26 de abril, que ainda tem lugares vagos, num concerto com entrada gratuita.

O evento irá celebrar o aniversário dos Manos Trio, juntar pessoas de várias gerações em torno de um grupo de Baião, que pretende que a celebração “seja de agradecimento pelo carinho das pessoas e de nostalgia para todos dos tempos em que numa pequena sala se faziam grandes bailes”.

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