“Tarlatum” é o nome do mais recente trabalho do grupo musical de Baião “Andarilhos”, que conta com 30 anos dedicados à recriação e divulgação de músicas tradicionais do concelho e da região.
O novo trabalho, cem por centro baionense, foi apresentado no Dia do Município de Baião, depois do grupo ter recebido a Medalha de Mérito Cultural, enquanto Associação Musical “Os Andarilhos”.
Baião foi o cenário do videoclipe que acompanha o tema e, segundo João Paulo Borges, membro do grupo, “evoca a questão social das pessoas dizerem que não se importavam de regressar à sua terra”.
É sobre o regresso à terra Natal que a música, um ritmo tradicional dos Zés-Pereiras, aborda, contando a história de alguém, que é o Tarlatum, que se satura das vivências da cidade e decide regressar à sua terra”.
“Foram criados vários elementos que são familiares e importantes para o grupo, como é a chegada à Estação de Mosteirô ou a passagem pelo Mosteiro de Ancede”, explicou João Paulo Borges, acrescentado: “o videoclipe mostra um pouco do caminho que se pode fazer para se ter um bocado mais paz de espírito e culmina na aldeia favorita do grupo, que Aldeia de Almofrela, junto à Serra da Aboboreira”.
O “Tarlatum” é uma música e uma ideia original do grupo, com letra e música do Rui, e que contou com atores de Baião para dar vida à canção.
A par do “Tarlatum”, o grupo está a trabalhar em mais temas originais e recolhas, que contarão com um videoclipe a acompanhar, num processo que “profissionalização e mais intenso” que o grupo está a fazer desde a sua constituição.
De “Ecos da Aboboreira" a "Andarilhos”
João Paulo Borges lembra bem a constituição do grupo musical feita juntamente com outros colegas e cujo o nome inicial era “Ecos da Aboboreira”, para dar voz às músicas tradicionais.
“Foi o já falecido Mota e Costa, de Amarante, que nos deu o nome, mas depois fomos desafiados e regressar ao nome Andarilhos, muito pela conexão dos andarilhos no concelho de Baião e ao livro do escritor António Mota”, contou o músico ao nossoterritório.pt.
Foi em 1997 o grupo regressou ao nome Andarilhos e com ele veio o repertório, as apresentações em público e o interesse de pessoas de fora de Baião pelo grupo.
O crescimento e inovação dos Andarilhos leva-os a gravar o primeiro CD, com o nome “Alvorada”. Em 2006, vencem o concurso Eurofolk, em Portugal, e foram representar Portugal em Málaga, tendo conquistado o segundo lugar.
O grupo fez algumas recolhas de músicas tradicionais, “embora houvesse já uma panóplia de músicas escritas por diversas pessoas”, e começou a inovar e a trabalhar em músicas originais, sempre com base na tradição.
Os “Andarilhos” já percorreram vários locais de Portugal e alguns países da Europa, levando tradições que, hoje em dia, andam mais à volta das músicas do Douro Litoral, da chula, dos viras e dos fados batidos.
“Lembro-me perfeitamente do meu pai tocar a chula e fazer bailes de chula a tocar harmónica de beiços, portanto a chula é uma coisa que esteve sempre aqui connosco”, recordou João Paulo.
Em 2001, o grupo teve necessidade de criar uma associação, o que lhe conferiu “outras responsabilidades”, revela.
“Uma coisa é estarmos a trabalhar a banda, com cinco ou seis elementos, outra coisa é a associação, são os projetos que nós fizemos para diversas entidades, que envolvem várias pessoas, mas é por isso que temos este orgulho de falar de Andarilhos enquanto associação, que tem muitas pessoas de Baião”, salientou João Paulo Borges.
Está nos projetos da associação a promoção de um evento com mil pessoas a dançar a chula e 50 músicos a tocar, “possivelmente integrado um festival anual, com as condições do “Byonritmos”, do qual o grupo era parceiro, e dedicar um fim de semana para a chula e para trazer pessoas ao território”, disse João Paulo.



