O mês de fevereiro leva ao Ponto C, em Penafiel, espetáculos de ballet, teatro, música pop-rock e clássica, humor e uma performance duracional.
Dia 06, o Ballet do Douro apresenta “O Amor das Pedras”, um bailado de Sílvia Boga entre a literatura e o movimento. Partindo de um conto de Pedro Rodriguez Villar, vencedor do programa transfronteiriço Nortear, esta peça fala sobre um amor etéreo e a força da Natureza, fundindo literatura e dança num espetáculo de grande força plástica.
No dia seguinte, “Não se pode, não se pode!”, com encenação de Catarina Requeijo e produção do Teatro Nacional D. Maria II, é apresentada no Átrio do Ponto C, depois de uma semana a visitar as creches e IPSS do concelho de Penafiel. A peça conta a história de dois cães de guarda que passam o dia a patrulhar um quintal, mas se veem obrigados a alterar as regras perante a presença de um gato vadio.
Já no Auditório do Ponto C, o humorista António Raminhos apresenta-se, pela primeira vez, com “Volto Já”. Um espetáculo onde aborda receios e absurdos relacionados com a finitude e procura fazer algum sentido neste mundo onde, inexplicavelmente, ainda não se inventou antídoto para a morte.
A 13 de fevereiro, a digressão dos ingleses These New Puritans chega a Penafiel. Na bagagem, os irmãos Jack e George Barnett trazem o mais recente “Crooked Wing”, álbum que consolida a reputação pela abordagem visionária e experimental que desafia a categorização. Disco após disco, têm desenvolvido um som que desafia as leis que se aplicam ao formato clássico de canção.
No âmbito do Festival Montepio Às Vezes o Amor, a 14 de fevereiro, Rui Massena apresenta, a solo ao piano, “Parent’s House”. A composição evoca um universo nostálgico e introspetivo e o pianista e compositor convida o público para uma viagem pelo seu álbum de recordações familiares, entre a memória e o futuro.
Dias 21 e 22, o Ponto C recebe uma performance duracional – onde o público pode entrar e sair – de 12 horas distribuídas por dois dias. Com entrada gratuita, “The Complete National Anthems of the World”, de Carlos Azeredo Mesquita, reúne quase 300 hinos (de países reconhecidos pela ONU, de regiões autónomas, de organizações internacionais e até estados já extintos) cantados em gravações a cappella e acompanhados por músicos de banda filarmónica que marcham e tocam. A peça problematiza os conceitos de hino e de nação, ao mesmo tempo que ativa um sorteio de comida e bebida, cuja oferta – pão e água ou marisco e vinho do Porto vintage – espelha as desigualdades simbólicas associadas ao poder dos passaportes no mundo global.
Nos mesmos dias, a peça de teatro “Como desenhar uma filha nua”, com texto e encenação de Jorge Palinhos para a Visões Úteis. A partir dos clubes de leitura, do ato de ler relatórios em grupo e na fronteira ténue entre factos e perceções, trata-se de uma peça interativa que explora as possibilidades da comunicação, da leitura em voz alta e do design como ferramentas de expressão.
No final do mês, dia 27, o Conservatório de Dança do Vale do Sousa apresenta “Matilda” com direção de Margarida Garcez. Um musical baseado no livro com o mesmo nome, de Roald Dahl, que conta a história de uma menina brilhante e cheia de imaginação, mas negligenciada pelos pais. Com poderes magníficos, Matilda desafia as injustiças e descobre que a verdadeira força está dentro de nós, transformando o seu destino e o de quem a rodeia.
No foyer do Ponto C, com acesso gratuito, é possível ver, até 14 de fevereiro, a exposição “Punctum – o jazz em palco”, de Márcia Lessa, com imagens de concertos. Inspirado no conceito do livro “Câmara Clara” de Roland Barthes, o título remete ao punctum: o detalhe que nos “atinge”, “fere” ou “toca” a um nível profundo e intensamente pessoal.
Os bilhetes para os espetáculos estão à venda na bilheteira do Ponto C, de terça a sábado entre as 13h30 e as 18h30; e on-line (https://pontocpenafiel.bol.pt/).



