A 16 de setembro de 2024, Baião acordava para uma das piores semanas da história do concelho, com incêndios devastadores, que causaram prejuízos avultados e momentos de dor e pânico.
Naquele dia, estavam no terreno 100 operacionais, que combatiam as chamas nas freguesias do Gove, Ancede e Ribadouro, Santa Leocádia e Mesquinhata e Gestaçô. Carros, casas e armazéns tinham sido consumidos pelas chamas, que não davam tréguas.
Nos dias que se seguiram, fecharam escolas, cancelaram-se eventos e continuou o combate às chamas, que teimavam em galgar terrenos, apoiadas pelos ventos fortes que se faziam sentir.
As autoridades pediam reforços, mas os concelhos da região tinham também incêndios, grandes incêndios, e todos os operacionais eram poucos para o terreno.
Bombeiros e bombeiras passaram horas, dias e dias no terreno a controlar as chamas, a salvar casas, bens e pessoas, mas não foi possível fazer o impossível. Em Baião, arderam mais de seis hectares de área verde, quatro casas de primeira habitação, seis casas de primeira habitação ficaram parcialmente destruídas, uma casa de segunda habitação ficou totalmente destruída, uma casa de segunda habitação parcialmente destruída, arderam 46 casas devolutas e veículos, como camiões, tratores e veículos ligeiros.
Culturas de limões, de mirtilos, de vinha também foram fustigadas pelo fogo, inclusive a vinha da Quinta do Mosteiro de Ancede, propriedade da autarquia e de onde resulta o vinho Lagar do Convento.
Durante aquela semana, a população teve um papel fundamental. Foram bombeiros, foram proteção civil. Ajudaram a apagar os fogos, alimentaram os operacionais no terreno e salvaram animais, bens e pessoas.
Loivos do Monte teve Luís Miranda que, com a sua cisterna, salvou a aldeia, e Baião teve Pedro Pereira, que apanhou o primeiro avião na Bélgica para ajudar os colegas da corporação de Baião.
No terreno, a acompanhar os incêndios, esteve a proteção civil de Baião, que dia e noite auxiliou os operacionais e esteve sempre ao lado deles. Paulo Pereira, presidente da Câmara Municipal de Baião, foi ao terreno, almoçou com os operacionais e reivindicou mais meios para o terreno.
A Baião veio Pedro Nuno Santos, Luís Montenegro, Marcelo Rebelo de Sousa e outros membros do Governo. Viram os estragos, ouviram as pessoas que perderam tudo e deixaram palavras de esperança.
Um ano após os grandes incêndios, Baião ainda espera por apoios, ainda há quem não tenha construída a tão desejada casa de primeira habitação e quem ainda não tenha sido capaz de reerguer culturas e empresas, por falta de apoios do estado central.
Há pessoas com a vida em suspenso, devido aos incêndios de 2024. Pessoas que lutam para não perderem a esperança e para voltarem a ter o que o fogo, inimigo cruel, lhes levou, numa semana onde o mais importante foram as vidas que se salvaram.



