A baionense Natacha Fernandes deitou mãos à obra e transformou uma paragem de autocarros, junto ao Agrupamento de Escolas de Eiriz, em Ancede, num mural de homenagem ao escritor, também ele baionense, Soeiro Pereira Gomes.
Natacha Fernandes, que tem o filho a estudar naquele agrupamento, “não gostou do que viu na paragem, que continha desenhos e inscrições menos próprias para os mais novos”.
Foi a pensar em conseguir uma solução para aquele espaço, Natacha, com a ajuda do filho Cristiano, “criou um mural que é uma fonte informativa útil de conhecimentos para os alunos”
“Alindou inequivocamente o espaço, que estava visivelmente enxameado com imagens e ditos impróprios para uma paragem/abrigo de uma escola. Uma escola é (deve ser) um local de elevação cognitiva e moral e não um local semelhante ao submundo da sociedade”, realçou a jovem.
Durante alguns dias, mãe e filho dedicaram-se ao mural, entre risadas e pinturas fora de sítio e o resultado foi “uma mensagem para todos os alunos e alunas da escola”.
“Espero que o mural contribua para cimentar nos jovens de Baião o gosto pela leitura e que, em particular , leiam a obra – prima Esteiros, um livro de um autor nascido em Gestaçô, um livro comovente e que denuncia muitas das mazelas de que padecia o regime anterior ao 25 de Abril, e que, por outro lado, é um grito de apelo à existência de uma escola pública para todos, onde as crianças pobres também pudessem aceder e fruírem do direito ao conhecimento e à educação”.
Apesar de ser a candidata da CDU à Câmara Municipal de Baião, Natacha deixou claro ao nossoterritório.pt que “fez o mural enquanto cidadã baionense”.
“Esta foi, também, a minha paragem de autocarro enquanto estudante. Atualmente, é o meu filho que frequenta o 1° ciclo do Ensino Básico no Agrupamento de Escolas de Eiriz. Não há nada no mural que configure um apelo ao voto, coisa que obviamente seria ilegal, constando apenas dados que se me assemelham relevantes sobre a obra e o autor e que ganham pertinência e acuidade na conjuntura política atual, onde ventos de esperança democráticos coexistem com nuvens negras no horizonte”, esclareceu.
A jovem baionense encontrou no mural “uma forma de homenagear Soeiro Pereira Gomes, a sua qualidade literária e a luta apaixonada que dedicou em prol das crianças e dos jovens, bem como em prol da liberdade do Povo Português, sujeitando – se inclusive às agruras da clandestinidade”.
“Para nós, baionenses, em particular, é um orgulho que um homem desta grandeza e dimensão tenha nascido no nosso concelho”, concluiu.



