Com apenas quatro ou cinco anos, Pedro Luís Cardoso, neto de baionenses de Gestaçô, brincava com os amigos a contar histórias, fábulas inventadas, onde inúmeras personagens habitavam lugares imaginários e insólitos.
Naquele ato de brincadeira já despertava o gosto pela escrita que, segundo o autor, “quando emergiu, não lhe deu a devida importância”.
Com certeza, os amigos gostavam de ouvir Pedro Luís, que nas suas fábulas inventadas tinha “personalidades recorrentes, além de uma personalidade própria, também tinham uma narrativa, um passado e uma vida”.
“Veja-se bem como, sem o saber, eu já estava a semear as primeiras histórias”, afirmou, em entrevista ao nossoterritório.pt.
Pedro Luís Cardoso apresentou, no sábado, em Gestaçô, aldeia dos seus avós Adelino Nogueira e Maria Amélia Novais e onde passava as férias na infância, o livro “A Trípode – O Último Mellion – Livro I”.
A sede da Junta de Freguesia de Gestaçô encheu para receber Pedro Luís, que desde muito cedo teve a originalidade dos seus poemas e a capacidade criativa no que a histórias dizia respeito elogiada por diversos professores.
Sem prestar grande atenção ao que os professores lhe iam dizendo, o autor deixou passar os anos até que, aos 12 anos, “alguma coisa surgiu diante dos olhos de uma criança, na praia da Amoreira, numa tarde de férias de verão”.
“Ora, essa história prendeu-se no meu pensamento com raízes mais profundas do que as demais e os seus ramos foram subindo e subindo ao longo do tempo – ramos que fui aparando ou deixando crescer à medida que ia adolescendo”, disse, contando:
“De vez em quando, nos princípios dos meus ensaios pela vida adulta, fui visitando essa história-árvore nascida na praia da Amoreira. Com cuidado, fui trabalhando para que ela amadurecesse e desse frutos, até que, em 2019, com os meus 28 anos a transformarem-se em 29, decidi deixá-la crescer”.
Quatro anos mais tarde, e inspirada na semente que fora lançada aos 12 anos, surgiu a primeira obra: O Último Mellion, que serve como introdução a Asterend – um mundo completamente inventado, mas que tem os seus alicerces bem assentes no mundo real.
“A narrativa segue um ponto de viragem na vida de um príncipe de um reino antigo e longínquo que, enquanto tenta fugir às suas responsabilidades para perseguir um amor impossível, acaba por tropeçar numas criaturas enigmáticas que poderão mudar a sua vida para sempre. Enquanto isso, temas como a lealdade, honra, ódio e amor são apresentados ao leitor para que este os possa questionar verdadeiramente. Pois, se estes valores fazem tanto sentido às personagens de Asterend, porque estarão então a ser esquecidos no nosso mundo?”, conta Pedro Luís.
O livro tem como público alvo os mais adultos, dos 16 aos 116 anos, gracejou Pedro Luís, indicando que “não somente pelos temas que aborda, mas também pelo vocabulário e pelo ritmo lento que exige muito do leitor”
“No entanto, não há nada em A Trípode que proíba um jovem de 12 anos de gostar dele”, asseverou.
Imbuído pelas paisagens de Gestaçô e Baião, Pedro Luís encontra inspiração nas memórias das férias na aldeia, mas também na música e nas pessoas que foi conhecendo ao longo da vida.
“Além disso, a minha formação em biologia também me ajuda a encontrar encanto e sabedoria na natureza, dando-me poços fundos para explorar toda a minha criatividade. Depois, temos o meu gosto por história e linguística que, caminhando de mãos dadas, me abrem as portas da imaginação para poder ver mundos, povos e culturas que eu nem sabia existirem dentro de mim”, salientou.
O escritor Pedro Luís Cardoso tem a história de toda a trilogia escrita, sendo que “O Último Mellion” é, na sua essência, um livro só.
“No entanto, por questões práticas de edição, teve de ser dividido em três. Algo que eu já tinha em mente como sendo uma possibilidade quando me propus avançar com este desafio”, confessou, adiantando que, “em conjunto com a editora Nova Geração, prevê ter o segundo volume disponível para os leitores na primeira metade de 2026”.



